Mudança no perfil do crédito para as empresas

Carteira de empréstimos cresce para pequenos negócios, enquanto recua para grandes. Principal risco, porém, é um eventual aumento da inadimplência em uma economia cuja recuperação segue muito lenta

Segundo dados do Banco Central (BC), desde o início do ano o saldo de crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMe) cresce a um ritmo superior ao das grandes empresas.

De setembro de 2018 a setembro deste ano, a carteira de empréstimos para MPMe aumentou 6,6%, contra queda de 4,8% no caso das companhias de grande porte. Com isto, a participação das MPMe no saldo total das operações para pessoas jurídicas saltou de 34,4% para 37% no período.

Entre as explicações para esta nova dinâmica estão a maior atratividade de fontes alternativas de financiamento para grandes empresas, o que reduziu sua demanda por crédito bancário, e a taxa de inadimplência relativamente baixa, que aumentou a disposição das instituições financeiras a emprestar para o segmento MPMe, de maior risco.

Além disto, a situação do mercado de trabalho, caracterizada por desemprego elevado e persistente, tem impulsionado o empreendedorismo como alternativa à falta de vagas de emprego formal. Segundo dados da Boa Vista, apenas entre o segundo e o terceiro trimestre de 2019 a abertura de empresas do tipo MEI (Microempreendedor Individual) cresceu 13%.

De acordo com o Portal do Empreendedor-MEI, do Governo Federal, em outubro já eram 9,2 milhões de empreendedores deste tipo no país. Com o avanço dos pequenos negócios, cresce também a demanda por crédito.

No caso do MEI, o saldo de crédito passou de R$ 4,8 bilhões no segundo trimestre de 2018 para R$ 6,7 bilhões no mesmo período de 2019, uma alta de 37,6%. Já a carteira de empréstimos para empresas de pequeno porte cresceu 8,1%, enquanto, no caso das microempresas, o aumento foi de 28,9%.

Por trás destas altas também pode estar o maior acesso dos pequenos negócios a serviços financeiros: com a expansão das maquininhas de cartão e a maior aceitação de meios eletrônicos de pagamento, cresceu também a oferta de outros serviços financeiros, como empréstimos, por bancos e fintechs.

Neste sentido, é possível que a alta da carteira de crédito para pequenos negócios seja ainda maior do que a reportada, já que operações de antecipação de recebíveis das vendas no cartão de crédito realizadas junto às credenciadoras (donas das maquininhas) não estão computadas nos dados do BC.

Além disto, muitos empreendedores podem estar tomando empréstimos como pessoa física, o que significaria um crescimento ainda mais expressivo da carteira de crédito para pequenos negócios.

A modalidade de financiamento de veículos para pessoas físicas, por exemplo, vem mantendo um forte ritmo de crescimento desde o final de 2017, o que tem colaborado para as vendas do setor, que cresceram 11,3% em 12 meses até agosto. Parece razoável supor que uma parcela significativa destas vendas tenha sido realizada para motoristas de aplicativos.

Apesar do crescimento, há um enorme potencial para a expansão do crédito para o segmento MPMe. Em 2012, a carteira de empréstimos deste segmento chegou a representar mais de 50% do saldo das operações para pessoas jurídicas.

No caso dos MEI, no segundo trimestre deste ano eram 747,8 tomadores de crédito como pessoa jurídica e 5,1 milhões na pessoa física, em um universo de mais de 9 milhões de empresas.

A redução das taxas de juros e a expansão dos meios eletrônicos de pagamento e das contas digitais tendem a colaborar para a continuidade do crescimento da carteira de crédito para MPMe nos próximos meses.

O principal risco, contudo, é um eventual aumento da inadimplência, já que se trata de um segmento de maior risco em uma economia cuja recuperação ainda segue muito lenta, o que pode frustrar as expectativas de venda dos pequenos negócios.

Fonte: https://dcomercio.com.br/

 

 

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