A 25 de março no mês que antecede o Natal

Black Friday, feriados e festas já levam uma multidão às lojas da região, que apostam em horário estendido, descontos, oficinas e decoração para vender mais

Quem quer antecipar as compras de fim ano, começar a decorar a casa para o Natal e pesquisar preços de presentes sabe que a região da 25 de março, no Centro de São Paulo, é o endereço que reúne todas essas possibilidades em São Paulo.

Nessa época do ano, muitas lojas exploram o clima natalino para fomentar as vendas. Nos arredores da rua 25 de março, que chega a receber mais de 1 milhão de pessoas por dia, as fachadas dos comércios já ostentam bolas, luzes, laços e infláveis nas cores verde e vermelha.

Dentro das lojas também vale tudo para exibir os produtos sazonais. Na Rigo Festas, as oficinas de biscoitos, degustações de produtos e aulas de decorações natalinas acontecem três vezes ao dia e estimulam os consumidores a apostarem em fitas, cortadores e confeitos para reproduzirem o passo a passo em casa.

De acordo com Jennifer Albuquerque, 32 anos, gerente da loja, a estratégia tem funcionado bem. Esse é o primeiro ano que a loja está vendendo artigos culinários para a data e o resultado tem correspondido às expectativas. “Se esse volume se manter até a véspera de Natal vamos repetir a ação na Páscoa”, diz.

Outra tática muito utilizada pelas lojas de rua nessa época do ano, o horário estendido, já foi colocada em prática desde o início de novembro, na região da 25 de março. O mesmo se repetiu nos dois últimos feriados, quando as lojas funcionaram normalmente, das 8h às 14h.

A abertura aos domingos garante um aumento de no minímo 3% nas vendas, segundo Arquimedes Salomão, 54 anos, sócio de uma loja de brinquedos, na rua Jorge Azem. Por ali, a Black Friday, que oficialmente ocorrerá no próximo dia 29/11, foi antecipada. O negócio oferece brinquedos por até 70% de desconto. Uma barbie que antes sairia por R$ 129, por exemplo, agora, pode ser levada por R$ 79,90.

Os anúncios de Black Friday se multiplicam por muitas outras fachadas e funcionam como um recurso para atrair clientes. Embora a data promocional seja apontada por algumas organizações como responsável por antecipar as compras de Natal e prejudicar o desempenho do último mês do ano, muitos lojistas afirmam não sentir esse peso.

Evandro Sorian, 37 anos, gerente da Tudo Flores, que além de comercializar arranjos florais, vende peças de decoração para casa e itens de papelaria que são muito procurados para presentear, diz que o brasileiro deixa tudo para a última hora e ainda não adquiriu o hábito de se planejar.

“Além disso, na reta final, o consumidor é tomado por um impulso de consumo que o leva a presentear alguém a mais, ou a escolher um presente mais caro. É um padrão natural e nem a Black Friday, nem a internet interferem nesse comportamento”, diz.

Mesmo com inúmeras opções de presentes, a busca mais comum entre os consumidores é por itens de decoração. As decisões de quem será presenteado e quanto será investido, devem ficar para dezembro, entre a grande maioria. Muito do que o cliente vê exposto nas vitrines das lojas está disponível para venda. São árvores nas cores verde e branca, em vários tamanhos, com hastes coloridas ou em led, muitas bolas, laços, fitas, luminárias, guirlandas e pelúcias natalinas. A dúzia de bolas, por exemplo, sai em média, por R$ 8. Uma árvore que mede 1 metro de altura pode ser encontrada por R$ 40.

Os juros em queda, inflação baixa, maior oferta de crédito, o recebimento da primeira parcela do 13º salário, a lenta recuperação do emprego e a liberação de recursos extras do FGTS são fatores que dão sustentação para o crescimento das vendas no último trimestre, em especial, as de fim de ano.

Por conta desse cenário, o varejo espera que neste ano, o faturamento real do Natal aumente 4,8% em relação a 2018, descontada a inflação. Se a previsão da Confederação Nacional do Comércio (CNC) se confirmar, será o melhor desempenho em seis anos.  De acordo com um estudo da entidade, os maiores volumes de contratações deverão ocorrer nos ramos de vestuário (62,5 mil vagas) e de hiper e supermercados (12,8 mil).

“Entre os segmentos do varejo, as lojas de vestuário, acessórios e calçados são, historicamente, as mais afetadas positivamente pelas vendas natalinas”, diz o economista da CNC, Fabio Bentes. “Enquanto o faturamento do varejo cresce em média 34% na passagem de novembro para dezembro, no segmento de vestuário esse percentual costuma subir 90%”.

FOTO: Mariana Missiaggia/DC

  Por Mariana Missiaggia 21 de Novembro de 2019 às 08:36

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br

Fonte: https://dcomercio.com.br/

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