A história da Associação Comercial em mais de quatro décadas de existência.
Um grupo de comerciantes de Ferraz de Vasconcelos sentiu a necessidade de criar no município uma entidade que representasse os interesses do comércio e passasse a dar respaldo às atividades do futuro centro comercial que, aos poucos, começava a se formar acompanhando o progresso da cidade.
Em 1970 as primeiras lojas e supermercados, na época, mercadinhos foram se instalando nas duas principais avenidas: XV de Novembro e Avenida Brasil. Na medida em que a cidade se desenvolvia e mais comerciantes chegavam notou-se uma dificuldade muito grande para vender, pois os comerciantes não tinham como se defender dos maus pagadores. Era tudo muito difícil, pois a cidade não possuía ainda autonomia comercial. Para vender a prazo era necessário ir até Mogi das Cruzes ou São Paulo para checar os dados cadastrais do cliente e, mesmo assim não era uma consulta abrangente. Era só do local pesquisado. Portanto se o comerciante precisasse consultar os dados da pessoa em Mogi só tinha como resultado a pesquisa naquela cidade. Não era como hoje. As compras demoravam até três dias para serem consolidadas, um transtorno tanto para o comerciante como para o consumidor.
Nesta época, Vitor Carillo que trabalhava em São Paulo e montou uma loja de roupas, o antigo Magazine Tuca, ao lado da agência do Banco Bradesco, começou a observar a necessidade da cidade ter uma organização melhor no comércio, pois as lojas funcionavam mais no sábado e domingo e não seguiam um horário padrão. A loja foi montada para que a esposa dele, Jacitara Fares Carillo, tivesse uma ocupação, enquanto Carillo trabalhava. Aos finais de semana ele ajudava na loja. Durante a semana, o movimento no comércio era muito fraco.
Com o apoio do Rotary Club de Ferraz, que sempre foi um parceiro da Associação Comercial da cidade, a semente para criar a entidade foi lançada, pois os representantes do Rotary já tinham uma certa experiência: "Comecei a chamar os comerciantes para arregimentar apoios, pois o comércio vivia abandonado. Soube que já tinham tido a idéia de criar uma associação, mas ela não saiu do papel". Com muita determinação, Carillo foi chamando representantes do comércio e da cidade, geralmente lideranças que se destacavam para ajudá-lo a tornar o sonho em realidade. A empreitada recebeu o apoio do Rotary Club de Ferraz, do Bradesco e das indústrias Baxman e da fábrica de Lixas Gothard Kaesemodel.
Com o apoio do presidente do Rotary na época, Arthur Hormínio da Costa, foram realizadas algumas reuniões para planejar a futura associação. Em 21 de maio de 1970, 20 pessoas formaram o Conselho Deliberativo: Sylvio Magrini, Luiz Pires de Araújo, Ayres R. Domingues, Makoto Iguchi, José Antonio Fares, Tarcísio José Martins, Atuci Takeuti, José Soto Garcia, José Bruno Kessner, Levon Bademian, Ângelo Castello, José Maria Novaes, Braulino Caetano de Lima, Orlando Marques, Silvio Carrupt Ribeiro Alves, Vitor Carillo, Arnaldo Renzi, Darcy Pereira, Walter Penink Caetano e João Martins.
Uma semana depois, no dia 28 de maio de 1970, na Avenida Dom Pedro II, sede da Fundação Municipal de Cultura e Esportes, foi realizada a primeira reunião oficial - a do Conselho Deliberativo da Associação Comercial e Industrial de Ferraz de Vasconcelos.
Neste primeiro encontro, o presidente do Conselho Deliberativo, Ayres Rubens Domingues, verificou a presença de 12 conselheiros e deu início a sessão, empossando os conselheiros. Após isso, José Maria Novaes foi nomeado como o primeiro secretário; Silvio Carrupt Ribeiro Alves ficou na 2ª secretaria. José Antonio Fares, ex-prefeito de Ferraz, João Martins e um outro futuro prefeito Makoto Iguchi compuseram a Comissão de Sindicância. Ficou estipulada na ocasião uma mensalidade de dez cruzeiros, mas com as despesas iniciais para registrar a associação, a quantia subiu para cinqüenta cruzeiros. Seguindo o estatuto, o presidente do conselho indicou Walter Penink Caetano, Tarcísio José Martins e Antonio Lopes Rodrigues para a Comissão Fiscal. Para a eleição da presidência foram apontados os nomes de: Ângelo Castello (ex-prefeito), Albino Rodrigues e Vitor Carillo. Para a vice-presidência ficaram os nomes de Júlio Ferreira Júlio, José Bruno Kessner e Levon Bademian. Depois da votação foram eleitos Vitor Carillo e Ângelo Castello para vice presidente. Com a entidade já criada faltava um local para que ela funcionasse. João Martins ofereceu uma sala de doze metros quadrados de sua propriedade para que a entidade fosse instalada na avenida XV de Novembro número 93, primeiro andar, sala três. O sócio fundador João Martins, hoje com 77 anos, conta que não cobrou aluguel por muito tempo e depois chegou a cobrar um preço apenas simbólico.
José Antonio Fares solicitou, durante a reunião para definir a instalação da associação,, que constasse em ata um voto de aplausos ao Rotary Club de Ferraz pela iniciativa e empenho na constituição de uma comissão com a finalidade de formar a associação. A reunião que começou às 20h30 foi encerrada três horas mais tarde com mensagens de agradecimentos feitas pelo presidente Carillo. A ata da reunião foi assinada por José Maria Novaes, Darcy Pereira, Atuci Takiuti, Braulino Caetano de Lima, Levon Bademian, Orlando Marques, Ayres Rubens Domingues, Vitor Carillo, José Antonio Fares, José Soto Garcia, Tarcisio José Martins e Makoto Iguchi.
Para o primeiro biênio da Associação Comercial a diretoria ficou assim definida: Vitor Carillo (presidente), Ângelo Castello (vice-presidente), Walter Penink Caetano, Antonio Lopes Rodrigues e Tarcisio José Martins (como membros da Comissão Fiscal).Os demais cargos administrativos ficaram assim nomeados: Julio Ferreira Júlio (primeiro tesoureiro), José Bruno Kessner (segundo tesoureiro), Alvilio Balbino Rosa (secretário-geral), Masatochi Narisawa (primeiro secretário) e Jorge Alem (segundo secretário). A fundação da entidade ocorreu no dia 10 de junho de 1970 com a diretoria legalmente constituída.
O presidente-fundador da Associação Comercial, Vitor Carillo, lembrou que na época a entidade abrangia também o setor agrícola e tinha agricultores como associados. Tanto que o cargo de primeiro-secretário era ocupado por Massatochi Narisawa, que plantava uvas na cidade. Com a entidade constituída era preciso, então, brigar por uma outra boa causa: convênio com o Serviço Central de Proteção ao Crédito da Associação Comercial de São Paulo para que a cidade também pudesse contar com um sistema feito por fichas datilografadas para as vendas no comércio: "Não pense que foi fácil fazer tudo isso porque era tudo novo para a cidade. Depois que o sistema de fichas foi consolidado fiz o meu sucessor. Acabei o mandato e vendi o comércio mudando de vez para São Paulo", disse Carillo, que hoje é diretor da empresa Agaplan - Sistemas Eletrônicos de Segurança, sediada na Vila Pompéia, em São Paulo. Seu mais recente feito foi fundar em 1995 uma outra entidade: a Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança. Neto de italianos, Carillo relembra que há três décadas, o comércio ficava a mercê dos maus pagadores.
Atílio Di Lascio, foi uma espécie de relações-públicas desse período. Ele era encarregado de arranjar sócios. Para que a tarefa fosse feita com mais poder de persuasão, Di Lascio comprou alguns livros de esportes numa galeria em São Paulo. Ele saía convidando todos a fazer parte da associação. Quem aderisse a idéia ganhava de presente o livro: "Argumentava que a associação, para ter sucesso, dependia de todos nós. Consegui muitos sócios só na lábia", disse ele.
O sucessor de Carillo no comando da associação de 1972 a 1974 foi o diretor da fábrica de lixas Gothard Kaesemodel, Henry Otto Gothard Kaesemodel, que faleceu no dia 16 de julho de 1989, vítima de um câncer na próstata. A viúva, dona Nina Thomsen, 75 anos, disse que Henry era uma pessoa muito discreta e nunca trazia problemas da fábrica, da associação ou do Rotary, pois ele foi também ex-presidente. O casal veio do sul de Blumenau para Ferraz em 1949. Na época não tinha praticamente nada, apenas uma loja que vendia quase de tudo - de louças a ferramentas, uma farmácia, padaria e açougue. Henry morreu deixando dois filhos: Henry Walter Gothard Kaesemodel, e Oliver Henry Kaesemodel: "Na época a cidade era muito pacata. Depois, aos poucos começou a vir uma loja e outra"
Quem lembra um pouco da época do ex-diretor da fábrica de lixa no comando da associação era o contador da empresa, Sylvio Magrini, hoje proprietário do escritório Expoente Contabilidade, que fica na rua Otávio Rodrigues Barbosa, no Centro: "Quando ele assumiu, eu, que trabalhava na fábrica fiquei como secretário e ajudava também na associação".
Assim como fez o primeiro-presidente, Henry fez seu sucessor: João Ferreira Mota, que era seu funcionário e trabalhava na fábrica como chefe de vendas. Ficou no comando da associação de 1974 a 1976. Mota morreu aos 46 anos vítima de um câncer no maxilar, virilha e axila. Ele era uma pessoa brincalhona, esportista e com muitos contatos. Era sempre convidado pelo ex-prefeito Makoto Iguchi, na época prefeito, a ir até São Paulo ajudar a negociar a vinda de empresas para a cidade de Ferraz. Ajudou, inclusive, na divulgação da Festa da Uva Fina na cidade.
"O que eu lembro da época do meu pai na associação foi que teve a primeira iluminação de Natal nas ruas de Ferraz. Foi feita toda uma decoração especial com isopor", relembra o filho dele, Manoel de Castro Mota, 42 anos, mecânico de máquina de costura. De 1976 a 1978, a Associação Comercial de Ferraz passou para o comando do jornalista e escritor Sebastião de Souza Lemos. Conforme consulta feita a edições antigas do Jornal Quatro Cidades, que era de propriedade de Lemos, o jornalista foi convidado a integrar os quadros da associação em janeiro de 1976. Uma notícia redigida pelo próprio jornalista dava conta do convite feito por sócios e diretores da entidade na época para que ele fosse o quarto presidente: "O profissional de imprensa falou-lhes que podia aceitar o lançamento de sua candidatura, desde que eles (diretores) façam sua campanha. Deixou claro, no entanto, que se for eleito, a Associação Comercial levantar-se a com a força de um gigante ou deixará de existir definitivamente. Deseja o jornalista, uma diretoria dinâmica e competente para que possa realmente atender as necessidades do associado".
O jornalista Élio Tonalezi, atuou como relações públicas da associação comercial durante este período e relembra das dificuldades: "Não tinha telefone, tinha poucas fichas e associados. Chegava ao final do mês, ele (Lemos) pagava o funcionário do bolso dele". Para arregimentar mais sócios, Lemos lançou uma campanha: quem se associasse ganhava anúncio no jornal com descontos.
A filha de Lemos, Sonia Maria Lopes dos Santos, chegou a trabalhar na associação para ajudar o pai: "Trabalhava como secretária, mas desempenhava várias funções, apesar de que não havia muita coisa a ser feita. Por mês entravam cerca de quatro protestos. Não havia muita a modalidade de financiamento nas lojas", disse ela. Lemos morreu de pancreatite aguda no dia 24 de setembro de 1.990.
Depois de Lemos, o dentista Alfredo Wálter Reginer, assumiu a associação no período de 1978 a 1980 com a missão de reativar o SCPC e comprar um telefone. Regner emprestou o seu telefone para a associação. E em meados da década de 80 começou a sentir uma nova necessidade: a de reativar o serviço de consultas também para atender os bancos Bradesco e Unibanco: "Praticamente não tinha dinheiro nenhum e a gente pagava as despesas da associação com dinheiro do próprio bolso. A gente queria que ela funcionasse e não acabasse", afirmou Regner, hoje com 63 anos de idade. Depois de Regner, Eduardo Anion que abriu um escritório de contabilidade em Ferraz em parceria com um amigo assumiu a entidade: "Todos me pediram para que eu me candidatasse porque ninguém queria ficar com o pepino. A associação não dava lucro nem para cobrir as despesas: "Só quem vendia a prazo se interessava em manter a associação". A entidade participou de movimentos importantes como a da instalação do Corpo de Bombeiros na cidade de Suzano: "Houve interesse dos industriais, pois a taxa do seguro cairia. O Corpo de Bombeiros deveria ser instalado em Poá, como era a reivindicação da cidade, mas no fim ganhou Suzano devido a pressão de grandes empresas do município suzanense como a Hoechst, Komatsu, entre outras". Ao término de dois anos, Anion tentou desligar-se da associação promovendo uma eleição. Não houve candidatos. Na época a entidade tinha apenas 10 ou 12 associados. Anion queria sair da associação porque o trabalho como gerente administrativo na Editora Saber Ltda, em São Paulo, ganhava novos rumos. Em 1984, ano em que uma nova diretoria deveria assumir a associação, Anion foi de vez trabalhar em São Paulo. Seu vice, o comerciante Maurício Max Gerlach, ficou tocando os trabalhos, mas sem uma diretoria constituída. Neste período, a associação é considerada inativa, pois funcionava apenas o SCPC.
"O Eduardo precisou deixar a associação e alguém tinha de segurar a bucha. Acabei fazendo um mandato tampão, pois não havia diretoria", explicou o comerciante Maurício Max Gerlach, hoje com 52 anos de idade.
Nova fase
Em 1983 venceu o mandato da antiga diretoria e não Havendo interesse por parte dos associados, a entidade permaneceu sem diretoria, mas aos cuidados de um associado até 1993. No mês de abril de 1993, alguns comerciantes da cidade sentiram a necessidade de criar uma entidade, realmente representativa. Então, decidiu-se que em vez de criar uma nova entidade deveria reativar a Acifv.
Em 1994, o comerciante Rubens Soares reuniu-se com algumas lideranças da cidade para reativar a Associação Comercial e Industrial de Ferraz de Vasconcelos. Foram feitas algumas assembléias que resultaram numa eleição. Soares foi eleito como presidente com o amplo apoio de 15 empresas: Bradesco, Banespa, Banco do Brasil, Ruwal, Fernac, Móveis Lopes, Alice Modas, Indústria Alegrette, Casa Avenida Tatsuya Brinquedos, Mercado Veran, Di Paula, Imobiliária Amarosol e Imobiliária Nelson Cunha. Soares foi responsável por uma nova etapa na existência da associação que começou a ter credibilidade junto aos comerciantes. Num prazo de 12 meses 125 empresas se associaram, representando um crescimento de 600% no número de sócios. Com estes recursos, a receita da Acifv aumentou e iniciou-se uma nova era de investimentos para a informatização do sistema, telefonia, equipamentos de escritório como fax, xerox e sua sede própria.
O sistema informatizado possibilitou a implantação de serviços como o acompanhamento e registro das ocorrências do Cartório de Protesto de Poá, a divulgação de boletins informativos. O SCPC da Associação Comercial de Ferraz começou a fazer intercâmbios de informações, inclusive de pessoas jurídicas.
No dia 20 de julho de 1998, Soares, à frente de mais um mandato e com a entidade em sede própria na rua Bruno Altafim, 26, no Centro, numa área de 350 metros quadrados, deixou registrado nos arquivos da associação que ela contava com 150 filiados, vários tipos de serviços, além do SCPC, convênio médico, convênio Sesc, Balcão de Emprego, Consultoria Empresarial: "A Acifv jamais poderá ficar no abandono daqui pra frente. Nossa entidade nesses quatro anos, além de crescer muito, também contribuiu demais na mudança do cenário comercial e empresarial". Ele ficou no comando da associação até 2002, quando uma nova diretoria assumiu a entidade prometendo um ritmo de modernidade. O mandato do atual presidente Ubirajara Scutari termina em 2004.
créditos: Cristina Gomes